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terça-feira, 24 de maio de 2011

A Fragata João Belo em Hong-Kong


FRAGATA JOÃO BELO - ATRACA EM HONG-KONG


CONVÍVIO EM HONG-KONG-(1970-20-MARÇO)
Notícia de um jornal local com marinheiros  portugueses


DÁDIVA DE SANGUE PARA OS MILITARES QUE COMBATIAM NO VIETNAME

Dádiva de sangue para os militares feridos em combate
na guerra do Vietname (1970)
Capa do certificado de dador de sangue em Hong-Kong.
(12/03/70)
Um dos muitos dadores de sangue da Guarnição da Fragata João Belo
(1970)


ALGUMAS VISTAS DA CIDADE EM POSTAIS ILUSTRADOS DA ÉPOCA


Uma das Ruas movimentadas em Hong-Kong (1970)
Hong-Kong and Kowloon (1970)
Hong-Kong, ao pôr do Sol. (1970) - View overlooking the
Central and Easter Districts of the City.



A  FRAGATA  JOÃO  BELO, DEIXA HONG-KONG.

A Fragata, saiu de Hong-kong, onde permaneceu 5 dias, rumo a Macau, em 14/03/1970. Voltou a Hong-Kong, em 25/03/70, para abastecimentos. Zarpou no dia seguinte, rumo a Timor, passando por entre as Ilhas Filipinas, Molucas e estreito de Manipa.

Águas por onde a Fragata João Belo navegou com dificuldades.

Arquipélago das Molucas ( a verde claro)



As ILHAS MOLUCAS, são um arquipélago da Insulínda que faz parte da Indonésia. Está situado entre Celebes e a Nova Guiné. É banhada a Sul pelo Mar de Arafura, a Oeste, pelos Mares de Banda e Molucas, a Norte pelo Mar das Filipinas e a Noroeste pelo Mar de Celebes.

Em 1511-1512 os Portugueses foram os primeiros europeus a chegar às Molucas, procurando o comércio de especiarias .

Mais tarde, os Holandeses, os Espanhóis e reinos locais, (  TIDORE E TEMATE), disputaram o comércio lucrativo de especiarias, tendo, pelo que me apercebo, desalojado os Portugueses!!!.

TIDORE, vista de TEMATE.

A distância que separa as Ilhas de BURU  e  SERAM , é de cerca de 45KM



ESTREITO DE MANIPA ( Estreito de Bouro ou Estreito de Buru), situa-se entre as Ilhas de BURU e SERAM. Estas ilhas, pertencem ao Arquipélago  das Ilhas Molucas sendo administradas pela Indonésia, a partir da Ilha de Ambon.


António da Silva Martins, Mar. Radarista 1330/66.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fragata João Belo - Inicio de uma viagem ao Oriente

INICIO DE UMA VIAGEM AO ORIENTE,  MACAU, TIMOR E AUSTRÁLIA - 1970







CRÓNICA DE MARINHA


O INÍCIO DE UMA GRANDE VIAGEM 
CRÓNICA DE LEONEL CARDOSO, CAP. DE FRAGATA, EM ANAIS DO CLUBE MILITAR NAVAL (1971)


Terminado o período de reparações e docagem fomos "despedir-nos da patrulha da Beira, começando depois a preparação do navio para uma viagem ao Oriente. No dia 15 de Fevereiro de 1970 estava-mos prontos e seguimos de Lourenço Marques para a Beira e Porto Amélia, donde largá-mos no dia 20 para outras terras e outros mares.


RUMO A HONG-KONG
Tinha-mos à nossa frente quase 6000 milhas para navegar sem escala, até Hong-Kong, as quais, com tempo amigável, esperava-mos percorrer em 17 dias e meio, à confortável velocidade de 14.5 nós.

A probabilidade dum encontro com um tufão era pequena mas... nunca se sabe, pois as estatísticas são falíveis. No entanto, nem tufões nem rabos dos mesmos! A viagem foi muito confortável e até foi possível instalar na tolda uma "piscina" de água corrente - salgada, claro está!

De Porto Amélia rumá-mos a passar entre as Ilhas Comor Grande e Anjouan, norte das Gloriosas e da Providence e, dali, por entre as Seychelles e o Banco da Saia de Malha, (que imaginação a dos nossos navegadores!) a passar a sul do Arquipélago de Chagos e directamente ao Estreito de Sonda.

Sempre que passava-mos na área de uma ilha ou arquipélago, o nosso Navegador fazia ao ETO (comunicações internas), uma curta discrição da sua história e geografia, da sua população, clima, principais produções e actividade, etc.. Ciência dos "Pilots", devidamente filtrada e embelezada e embelezada! Um dos ouvintes mais atentos era o nosso Capelão, Delmar Barreiros, que embarcara especialmente para esta viagem e para o qual tudo eram motivos de encanto. Julgo que ele já escreveu as suas impressões de viagem, e seria interessante que as publicasse nos nossos Anais.

Pois, com banhos na piscina alternados com rotinas do material e com banhos de um sol radioso com instruções e limpezas lá fomos engolindo milhas e, no dia 4 de Março estávamos à vista do terrível Karakatoa, cujas violentas erupções tantas vidas têm ceifado.

Passado o Estreito de Sonda, e deixados para trás as suas traiçoeiras correntes, metemos ao Estreito de Gaspar, inflectindo depois para noroeste a fim de ir apanhar a rota recomendada para Hong-Kong, a nordeste das Ilhas Anamba. Aproveitámos todas as oportunidades para abreviar caminho, compensando assim o efeito de algumas correntes desfavoráveis - metendo por "atalhos", como eu dizia ao Capelão!

EM HONG-KONG
No dia 10 de Março chegámos a Hong-Kong. tendo cumprido ao minuto o ETA, dado 18 dias antes! Foi de resto um "jogo" a que nos dedicámos durante quase 3 anos dum Comando agitado e variado: - tentar passar a primeira espia ao cais ou largar a ganchorra à hora exacta do ETA.

Em Hong-Kong, permanecemos 4 dias, atracados na Base Naval - que continua a chamar-se  "H.M.S. TAMAR". Ali reabastecemos enquanto a Guarnição quase esgotava os "stocks" do "China Fleet Club"! As coisa já não são tão baratas em Hong-Kong com eram aqui há uns tantos anos atrás, mas ainda são muito mais baratas que em qualquer outro porto - pelo menos dos visitados pelos nossos navios. Além disso, o viajante em geral e o marinheiro em particular, têm a psicose da compra. Compraram sem necessitar, só porque é barato; compram julgando ser mais barato, porque na terra onde vivem não sabem o preço das coisas, nem sequer olham para montras!
  
Esta não foi a única psicose durante a comissão. Ao longo dos 24 meses verificaram-se outras:-a dos passaportes (que afinal ninguém conseguiu tirar), a das motorizadas, a do curso de soldador, a dos requerimentos para passar à disponibilidade... e depois para a recondução, a das cartas de condução, etc., etc.. Isto só para não falar nas mais importantes, pois manifestaram-se muitas outras de menor intensidade!

Mas voltemos a Hong-Kong:

Hong-Kong é um vespeiro de gente, uma loucura de movimento e actividade, que depois de 24 anos, fui encontrar ainda mais trepidante e super-povoado. Na ilha, a maior actividade foi de reconstrução. mas em Kowloon o crescimento foi fantástico!

Estranhei muito o desaparecimento das elegantes cabaias rasgadas lateralmente até meia coxa, agora substituídas pela comuns mini-saias, que mostram o mesmo mas já sem qualquer requinte de sabedoria sobre psicologia masculina!...


RUMO A MACAU
No dia 14 de Março, depois de me ter despedido do "Commodore-in-Charge", que mostrou certa preocupação com a nossa viagem até Macau, lá seguimos para a mais exótica das nossas províncias. Passámos as águas chinesas sem qualquer problema e a nossa salva à terra (21 tiros de pólvora seca) foi correspondida pela bateria do Monte da Guia e por uma ensurdecedora e interminável "salva" de panchões. Macau dava-nos as boas vindas à sua maneira tradicional!


EM MACAU
A manobra de atracar ao cais foi dirigida por sinais, pois a voz era completamente abafada pelo rebentamento daqueles milhares de "bombas de Sto António", cujo fumo envolvia as entidades que nos aguardavam  no cais num manto de irrealidade. Como foi excitante para o Navegador do saudoso "Afonso de Albuquerque" voltar a Macau, volvidas duas dúzias de anos! Como eu achei "mudados" os "rapazes e raparigas" do meu tempo! Como achei Macau diferente! Ali passamos 11 dias cheios - cheios pelas gentilezas das autoridades locais, da comunidade macaense e até da comunidade chinesa!

Tivemos a alegria de encontrar um Macau maior, mais moderno, mais sofisticado, talvez mesmo mais ocidentalizado, mas o mesmo Macau de gente laboriosa e acolhedora. Já não encontrei a Rua dos Tin-Tins com as suas antiguidades ao desbarato, já não encontrei os bem frequentados "cabarets" com as suas nuvens "tiu-mo-nui", mas fui encontrar mais lojas, "boutiques" e elegantes "boites"! Já não encontrei os velhos hotéis em que o matraquear do "ma-tchoc" se fazia ouvir pela noite fora, mas sim hotéis silenciosos de grande luxo, em que o turista se repousa entre as emoções do jogo. Já não ouvi o bater das tairocas na Avenida Almeida Ribeiro, porque aquelas foram substituídas por elegantes sapatos ocidentais. Vi as mesas de "fan-tan" quase desertas, porque agora a "coqueluche" é o "black-jack". Mas o milagre de Macau continua e, embora a sua roupagem exterior tenha mudado, a sua alma permanece a mesma. O estranho exotismo que tem apaixonado tantas gerações de marinheiros, continua bem vivo e, como sempre, impossível de definir.

RUMO A TIMOR
Foram bem curtos os 11 dias que ali passámos , para os homens da "JOÃO BELO" e até mesmo para a gente de Macau! No dia 25 houve que largar e, depois de reabastecer nessa mesma tarde em Hong-Kong, no dia 26 seguíamos para Timor, por entre as Filipinas, Estreitos de Mindoro e Basilan, Passagem das Molucas, e pelo Estreito de Manipa. E, com belo tempo, chegámos a Dili no dia 1º de Abril à hora prevista.


EM TIMOR 
Foi muito agradável atracar ao cais em vez de fundear e amarrar de popa a uma árvore em terra, como se fazia antigamente. E foi ainda mais agradável ver uma pequena e bem talhada cidade onde em 1945-46 só havia ruínas e desolação. O povo, que então se refugiava nas montanhas e nas florestas, circula agora despreocupadamente pelas ruas alcatroadas. 

Os jovens não viveram o período de sucessivas ocupações, de bombardeamentos por japoneses e aliados, de fome, de campos de concentração, de barbaridades da "Coluna Negra". Os mais velhos, ou já o esqueceram ou não querem recordá-lo!

Em Dili permanecemos 14 dias sendo alvo de inúmeras atenções e gentilezas por parte das autoridades e de particulares. Festas, passeios para o interior e ao Ataúro, intercâmbio desportivo e as melhores relações a nível particular.

Para quem ame a Natureza, Timor é um verdadeiro paraíso, e por isso não surpreende que se esteja a tornar uma zona turística muito popular para os australianos. As suas praias, os seus encantadores bancos de coral povoados de peixes de sonho, os seus búzios e conchas de formas raras e caprichosas, as suas estritas estradas de montanha serpenteando pelas encostas, os trajes e costumes nativos, são atractivos únicos para quem queira descontrair-se, fugir ao bulício do mundo durante umas semanas e contactar os encantos da Natureza na forma bela e primitiva. 



  FRAGATA JOÃO BELO - O INÍCIO DE UMA VIAGEM AO ORIENTE


Cais de Porto Amélia, onde se encontra  atracada a Fragata Comandante João Belo
1970
(Foto cedida por ANTONIO MOLEIRO)


Em 20 de Fevereiro de 1970, partiu de Porto Amélia (Moçambique), com destino a Hong-Kong, onde atracou em 10/03/70.

Durante esta viagem, a Fragata João Belo, navegou cerca de 6.000 milhas náuticas.

O navio rumou ao largo das Ilhas Comore Grande e Anjouan, a norte das Gloriosas e da Providence e, dali, por entre as Seychelles e o banco da Saia de Malha, para passar a Sul do Arquipélago de Chagos e depois o estreito de Sonsa. 

Seis dias antes da chegada a Hong-Kong, foi avistado o vulcão de Karakatoa.




Piscina(Tina), montada a ré da Fragata João Belo, a caminho de Hong-Kong.
(Foto de BENIGNO POMBO FERNANDES, Sar. ARE)

ZONAS MARÍTIMAS POR ONDE A FRAGATA JOÃO BELO NAVEGOU



Local assinalado por onde a Fragata João Belo navegou, nas Comores




ARQUIPÉLAGO DAS COMORES, é constituído por quatro ilhas: - Grande Comore (Njazídja), Anjouan (Nzwani), Mohéli (Mwali) e Mayotte.




Localização das Ilhas Comores, entre Madagáscar e Moçambique




RESUMO DE PARTE DA SUA HISTÓRIA MAIS ANTIGA

Brasão de Armas
O Arquipélago das Comores, foi no princípio habitada por um povo nativo vindo do Madagascar e das migrações polinésias oriundas do leste.
Foi porto de passagem do rico comércio feito pelos árabes, que iam para Sul da costa leste africana em busca de marfim e escravos.
Posteriormente as Ilhas  Comores  foram  “ descobertas”, em 1505, pelos PORTUGUESES, para depois serem colonizados e administrados pela França em 1886.








UNIÃO DE COMORES

É  uma  Republica  Federal Insular, formada por três das  quatro  ilhas  principais  do Arquipélago das Comores, situado entre a costa oriental de África e a Ilha de Madagáscar.
A Norte, é banhada pelo Oceano Índico e a Sul pelo Canal de Moçambique, sendo os seus vizinhos mais próximos a ILHA MAYOTTE, ainda administrada pela França, a Sueste. A Oeste está Moçambique e a Noroeste as Ilhas SEICHELES.
As ilhas que formam esta União são: – GRANDE COMORE (Njazídga), com cerca de 345.000 habitantes. ANJOUAN (Nzwani), com 240.00 habitantes, numa área de 424Km2, e MOHÉLI (Mwali), com 15.000 habitantes.
A sua Capital é MORONI, situada na Ilha Comore.




UM POUCO DA SUA HISTÓRIA MAIS RECENTE

Em 1975 a Ilha Comore Grande (Grand  Comore), uniu-se com Anjouan e Mohéli, para declararem a independência de França, o que conseguiram, nesse mesmo ano  formando  então  a  República Federal  
Islâmica das Comores.
Em 1997, as ilhas  Anjouan e Mohéli, declaram independência, desencadeando conflitos  entre as tropas do governo e separatistas.
Após negociações, em 1999, é assinado um acordo que institui um governo rotativo entre as três Ilhas.
Em 2001, foi a referendo uma nova Constituição, que muda o nome do país para  UNIÃO  DE COMORES , garantindo mais autonomia para todas as ilhas, tendo sido  aprovado por 77% dos eleitores.


Mayotte, é a única  illha do Arquipélago, que está sob administração da França.
As restantes tornaram-se independentes em 1975.


Vista aérea da zona marítima, por onde a Fragata João Belo passou
( Foto do blogue, voovirtual.blogspot.com)



ILHAS GLORIOSAS 

As Ilhas Gloriosas são um pequeno Arquipélago francês, com apenas 4,2Km2, e actualmente desabitada, e sem vistas atractivas no seu interior, avistando-se apenas agua, areia e couqueiros! Fica situada no Oceano Indico, dependente das Ilhas Reunião.

O seu vizinho mais próximo é Madagascar, a sueste e a sudoeste, seguindo-se-lhes as Ilhas Seychelles a Norte.



Mapa de África. Ilhas Gloriosas, é aquele pontinho do lado direito!


Couqueiros no interior da Ilha
(Foto do blog Fuzila Véio: Aonde fica #3)



Agua e areia!
(Foto do blog Fuzila Véio: Aonde fica #3)



ATOL DE PROVIDENCE



Neste Atol, ficam situadas as Ilhas PROVIDENCE e CERF.

A Ilha Providence, tem 4 Km de comprimento e cerca de 400 metros de largura, um pouco mais de 0,5 Km2.
A sua população é de seis pessoas.
A Ilha Cerf, fica a Sul do Atol, a cerca de 30 Km da Ilha Providence, com pouco mais de 4Km de comprimento e 500 metros de largura, podendo a mesma por vezes, chegar só aos 50 metros e 0,5 Km2. É desabitada.
Eestas ilhas pertencem à República das Seychelles.



Atol de Providence no topo



ATOL PROVIDENCE


Cidade VICTÓRIA, a Capital das Seychelles
(Foto de theawesomepost.com)

ESTREITO DE  SONSA


Vulcão  Karakatoa em erupção



Diversas fases da actividade do vulcão  Karakatoa





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terça-feira, 10 de maio de 2011

O Livro "Os Submarinos na Marinha Portuguesa"


FRAGATA JOÃO BELO - PRESENTE


( APRESENTAÇÃO DO LIVRO, EM ÍLHAVO)


BLOGUE - 10/05/2011

Foi com grande prazer que assisti hoje no Museu Marítimo de Ílhavo, à Apresentação da 3ª. Edição do Livro "Os Submarinos na Marinha Portuguesa" e cuja apresentação esteve a cargo do Vice-Almirande Tito Cerqueira com a presença do Contra-Almirante Álvaro Rodrigues Gaspar, o Vice Almirante Henrique da Fonseca, o Eng. Ribau Esteves Presidente da Câmara Municipal de Ilhavo e o Professor Dr. Armando Teixeira Carneiro do ISCIA – Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração de Aveiro, cujo DETMAR patrocinou o evento.

 http://www.portosdeportugal.pt/sartigo/index.php?x=5132

 "Trata-se de um clássico, de um livro publicado em 1972, onde é relatada a história da nossa arma submarina a par de episódios da navegação e da guerra submarina em geral e onde nos é dado o seu enquadramento histórico na vida nacional. É um texto muito interessante, que se lê com rapidez e agrado, ilustrado com numerosas fotografias, algumas muito curiosas, e onde estão repositadas tantas vivências, que já são História e que em nossa opinião merecem ser de novo publicadas e publicitadas, sobretudo num tempo em que tanto se fala sobre a oportunidade da aquisição destas unidades./..."



Conversa amena, com o Sr Alm. Tito Cerqueira. (Na foto, elementos do Nucleo de Marinheiros da Armada de Aveiro e o Martins (Ex-Radarista da Fragata João Belo, 1ª Guarnição).

( À equipam que controla os Blogs, agradeço que reponham esta foto, 
porque a mesma é propriedade do autor deste artigo!!!) 


Conversando com um ILHAVENSE, Sr ALM.  Tito Cerqueira.
Em conversa com o Vice Almirante Henrique da Fonseca
Falando do passado com o Sr ALM. Henrique da Fonseca, quando era Tenente na NRP "Cte João Belo" (1ª Guarnição)
A chegada do Sr Presidente da Camara de Ilhavo, RIBAU ESTEVES.
Mesa com os elementos de Honra na apresentação do livro.
Despedida.
NRP "DELFIM" (S 166)


NOTA DE DESTAQUE :- Este blogue, que fez a cobertura deste evento, foi o primeiro na sua divulgação a 
nível Mundial, com a amiga colaboradora  ANA PAULA DOS SANTOS LOURENÇO, natural de Ílhavo.



Diário de Aveiro, (15/5/2011)


segunda-feira, 2 de maio de 2011

ADEUS MACAU



FRAGATA JOÃO BELO - ZARPOU DE MACAU, RUMO A TIMOR


Após 11 dias de estadia em Macau, zarpamos rumo a Timor, em 25 de Março de 1970,
fazendo escala em Hong Kong, para reabastecimento, donde saímos no dia seguinte.
A bordo da fragata, na saleta da terceira coberta, testando as aparelhagens compradas em Macau. Na fotografia observa-se o contentamento e a admiração pelos artigos adquiridos!

FRAGATA JOÃO BELO – Passeios livres e compras


FRAGATA JOÃO BELO - PERMANECE EM MACAU


(PASSEIO PARA COMPRAS SEM CICERONE!)


Vista interior do Canidromo.
Vista exterior do Canidromo ( Entrada  Principal).




Terminadas as cerimonias a que tivemos de assistir, houve mais tempo livre para toda a guarnição dar uma olhadela nas ruas e vielas de Macau, para apreciar os artigos que pensava comprar. Os que possuíam a lista de  compras elaborada, enquanto iam apreciando os artigos, anotavam os preços e respectivo local onde os poderiam adquirir.

Deparamo-nos com uma grande dificuldade quando queríamos comunicar com os comerciantes locais. Ninguém falava português ou inglês. Somente se expressavam na língua local (Cantonês).

Devido a estas dificuldades, foi-nos disponibilizado uma intérprete, com cerca de doze anitos, filha de um Sargento do continente, a prestar comissão de serviço na nossa Armada local. Coordenaram-se os dias destinados às compras com a disponibilidade da intérprete, que se fazia acompanhar de um familiar, sempre que saía connosco. A menina e o seu familiar estiveram praticamente, metade da nossa estadia em Macau, por conta da Fragata Cte João Belo.

Honra seja feita a essa menina e seus familiares, que connosco colaboraram, sem demonstrar qualquer saturação.

Após o jantar, a guarnição tornava a sair, na sua maioria para a vida nocturna.

Macau à noite era encantador. Não estávamos habituados a ver tanto movimento e tanta cor. As ruas ficaram ainda mais coloridas quando os jovens marinheiros portugueses, vestidos de branco, se espalharam por toda a área, vagueando por ruas e travessas, entrando e saindo dos bares.

Nos passeios diurnos assisti pela primeira vez, à corrida de “galgos” no Canidromo local, onde se apostava nos cães que eram exibidos com o seu número no dorso.

A corrida constava de: um canil, com diversos cães galgos, separados entre si e uma lebre artificial, conduzida electricamente, ligada a um carril por onde se movimentava, com os cães a persegui-la. Dada a partida, as portas do canil abriam-se automaticamente, a lebre começava a fugir à frente dos cães, que a perseguiam até cortarem a meta.

A vida e os costumes locais, eram totalmente diferentes dos que estávamos habituados no nosso país, o que nos deixou bastante surpreendidos.


FRAGATA JOÃO BELO – Passeio turístico com cicerone






 FRAGATA JOÃO BELO - ATRACADA EM MACAU



PASSEIO COM CICERONE



Residence of  Dr. Sun  Yet Sen.
The front view of  the famous temple "Kun Yum" or  "Godedess of Mercy".
VASCO DA GAMA.   Monumento "The Discoverer of The Rout To India."




Penso que foi no segundo dia da nossa chegada que o Governo Civil de Macau, nos ofereceu um passeio com guia, de autocarro, pela cidade de Santo Nome de Deus e outros locais.

O cicerone, não era português. Provavelmente seria ocidental e fazia-se entender com facilidade na nossa língua, em todas as suas explicações.

Fizemos paragens, em fortalezas, templos, monumento ao Vasco da Gama, Ruínas de São Paulo e Porta do Cerco (fronteira) e outros locais.

Entre a fronteira chinesa e Macau, havia um espaço com cerca de 50 metros para o lado de Macau, designado na altura como terras de ninguém, onde se encontrava implantada uma pequena unidade da PSP.

Todos os turistas ficavam aquém das Portas do Cerco (os tais 50 metros). Não podiam ser portadores, naquela zona, de qualquer máquina de filmar, gravar ou fotografar.

Alguns marujos, não resistiram a essa proibição, levando consigo, ao tiracolo, as suas novas máquinas fotográficas, com a finalidade de poderem vir a ficar com uma recordação das Portas do Cerco (fronteira). Logo que a PSP os avistou, convidou-os de imediato a recolherem as respectivas máquinas, no autocarro. Dali seguimos para a Fortaleza da Guia, onde se situava também a Capela da Guia e o Farol. Daquele local podia-se avistar parte de Macau, uma zona de água e as Portas do Cerco.

O cicerone informou-nos que os chineses que queriam dar o “salto”, para Macau, muitas vezes, faziam-no sob a água, respirando por uma cana de bambu. Essas águas, além de serem bastante turvas, eram patrulhadas com frequência pelas lanchas chinesas.

Dizia o cicerone, quando nos indicou um bairro altamente degradado, onde viviam os refugiados chineses que conseguiam escapar à vigilância dos soldados, por terra ou por mar. Comentou ainda que os chineses diziam que do lado da China era o paraíso e que do lado de Macau era o inferno. No entanto nunca ninguém fugia do inferno para o paraíso!!!...