sábado, 26 de novembro de 2011

FRAGATA JOÃO BELO – A sua passagem pelo Banco Saia de Malha


Em 21 de Fevereiro de 1970, a Fragata João Belo, navegava no Oceano Índico, próximo das Ilhas Comores, avistando-se também as Ilhas North Bank e South Bank, no Arquipélago Saya de Malha.
Estas Ilhas, fazem parte da História dos Descobrimentos Portugueses.


SAYA DE MALHA BANK
(Maurícias)


   


Bandeira Nacional das Ilhas Maurícias
O Saya Malha Bank, é o maior banco submerso do mundo. Fica situado a Leste de Madagáscar, no sudoeste de Seychelles e a Norte do Banco de Nazaré, próximo da Ilha Maurício, o qual está englobado na sua Zona Económica Exclusiva.
O Local mais próximo é a minúscula Ilha Agalega, que depende da Ilha Maurício.
As Maurícias (Mauritius), administra todo o Banco Saya de Malha, como parte da sua ZEE, embora só uma pequena parte esteja dentro dessa Zona.

O banco cobre uma área de 40,808 Km2. É composto por duas partes: a menor é o Banco Norte, também conhecido por Ritchie Bank, e o maior é o Banco Sul. Os bancos são cobertos por grama do mar, intercalados com pequenos recifes de coral.
Devido à sua remota localização, o banco está entre os menos estudados do planeta, na questão de ecoregiões marinhas.

Estes bancos são um terreno fértil para as baleias jubarte e baleias azuis.

A primeira pesquisa séria do Banco Saia de Malha, foi feita pelo Capitão Roberto Moresby, da Royal Navy, em 1838.



Baleia Jubarte
(jb.com.br)


Baleia Azul, a maior do Mundo
(vejaki.com.br)



ILHA MAURÍTIUS

Mauricias (Sua localização)



O Banco Saya de Malha, Banco Nazareth, estão integrados na zona de reservas naturais, onde se inclui a mais importante que é a Black River Georges National Park (Georges Bank)

Jardim Flutuante
 
Ao centro desta imagem, está bem visível a GEORGES BANK.
(Foto de satélite NASA)

Safari Submarino


VASCO DA GAMA
UM PEQUENO RESUMO DA SUA HISTÓRIA



O Banco Saia de Malha, foi nomeado pelos Exploradores Portugueses, há mais de 500 anos, que se encontravam em viagem entre o Cabo da Boa Esperança e a Índia.
O primeiro a passar por aquelas bandas, foi Bartolomeu Dias em 1488, quando ainda ia tentar transpor o “Cabo das Tormentas”, o que conseguiu.
Seguiu-se Vasco da Gama, que zarpou de Lisboa rumo à Índia, em 08 de Julho de 1497, descoberta nessa época, pelo próprio, que comandava uma esquadra de 4 navios, a Nau S. Rafael, S. Gabriel, Bérrio (e o dos mantimentos), capitaneadas por Paulo da Gama, Vasco da Gama e Nicolau Coelho, respectivamente.
Pela lógica destes relatos pode deduzir-se que foi Vasco da Gama, que baptizou o Banco a que nos referimos, em 1502.
Porém fica por esclarecer, oficialmente,  em que período foi conhecido e quem nomeou o respectivo Banco Saia de Malha!




Navio da Marinha de Guerra Portuguesa, ao activo,  cujo  Patrono é
VASCO DA GAMA.
 



AS TRÊS VIAGENS DE VASCO DA GAMA


PRIMEIRA

 DESCOBERTA DO CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA
(1497 - 1499)


Exposição das medalhas de Vasco da Gama
Igreja de S. Francisco -  Cochim, (Índia)
(Foto gentilmente cedida por Julia Walles
 a  qual é  sua legítima propriedade)




Pêro Escobar

 
A tarefa expedicionária, inicialmente estava atribuída, pelo Rei D. João II, a ESTEVÃO DA GAMA, pai de Vasco da Gama.
Como ambos faleceram, o movo Rei D. MANUEL I  DE PORTUGAL, em Julho de 1497, delegou o comando da expedição a VASCO DA GAMA.
A frota por si comandada, iniciou a sua viagem em 08/Julho/1497, partindo de Belém (Lisboa), e em 20/Maio/1498, alcançou KAPPAKADAVU, próximo de Calcute (CALCUTÁ), Índia.
Em 29/Agosto/1498, iniciou a sua viagem de regresso, tendo chegado a Lisboa, em 10/Julho/1499.
Apenas duas das embarcações que partiram do Rio Tejo, e 55 homens, conseguiram alcançar Portugal, sendo a primeira a chegar a caravela Bérrio, por esta ser mais veloz e mais leve, sob o comando de Nicolau Coelho, tendo como piloto Pêro Escobar.
Vasco da Gama chegou em Setembro de 1499, um mês depois, por ter que aportar nos Açores, na Ilha Terceira, por o seu irmão, Paulo Gama, se encontrar gravemente doente, acabando por falecer naquela Ilha, onde ficou sepultado.



SEGUNDA 

 REFORÇO DO PESSOAL EM TERRA E COMBATER OS INTRUSOS!

 
No interior da Igreja de S. Francisco, em Cochim. (Índia)
"Foto gentilmente cedida por Júlia Wallers"

Em 12/Fevereiro/1502, Vasco da Gama, saiu de Lisboa, comandando mais uma expedição, com uma frota de 20 navios de guerra, chegando a Calcute (Calcutá), em 30/Outubro/1502.
Vasco da Gama, após a sua chegada, combate com outros países, que tinham bombardeado os seus homens que ali tinha deixado, para controlar o comercio, principalmente o das especiarias e reorganiza a sua comunidade e forma a colónia portuguesa de Cohim, na Índia, regressando a Portugal em Setembro de 1503.

TERCEIRA

 IMPOSIÇÃO DAS REGRAS E COMBATE À DESORDEM

 
LOCAL  ONDE ESTEVE SEPULTADO VASCO DA GAMA  (COCHIM)
"Foto gentilmente cedida  por Julia Wallers"

Em 1524, foi novamente designado, pelo Rei D. Manuel I, para mais uma viagem à Índia, tendo chegado a Goa, onde contraiu a malária, no mesmo ano.
Foi nomeado, pelo Rei de Portugal, Governador e segundo Vice-Rei, para impor a ordem actuando com rigidez, o que conseguiu, vindo a falecer algum tempo depois, na véspera de Natal, em Cochim, onde ficou sepultado, na Igreja de S. Francisco.
Em 1539 os seus restos mortais, foram transladados para Portugal, ficando na Igreja de um convento Carmelita, hoje conhecido, como Quinta do Carmo, próximo da Vidigueira (Alentejo) Portugal.
Em 1880 os seus restos mortais, foram transladados para o MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS.~


Igreja de S. Francisco em COCHIM  (ÍNDIA)
Originalmente construída em madeira pelos portugueses,

 em 1503 e reconstruida  em 1516
(Origem- WIKIPEDIA)


Interior da Igreja de S. Francisco em COCHIM (Índia),
 onde esteve sepultado o navegador português
VASCO DA GAMA
( Origem - Wikipedia)


Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa)
(Foto:-fernandajimenez.com)


Túmulo de Vasco da Gama
(
Foto:-fernandajimenez.com)



A  FROTA, QUE ACOMPANHOU VASCO DA GAMA, NA SUA PRIMEIRA VIAGEM, EM TELA.

Partida de Lisboa para a India
(Moitas61)


Armada de Vasco da Gama
( Alberto Cutileiro)



Nau S. Gabriel
(Cristino Cruz)


Nau Bérrio
(Cristino Cruz)



FUNDAÇÃO VASCO DA GAMA


Foto: Amorosa Oliveira - 2012
 (Museu da Marinha)

Foto : Amorosa Oliveira - 2012
(Museu da Marinha)



UM EPISÓDIO DA FUNDAÇÃO VASCO DA GAMA



Aproximava-se a data para as comemorações da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, por vezes e infelizmente muitas vezes chamada de descoberta do caminho para a Índia, o que de facto, foi realizado por Bartolomeu Dias.

No século XIX, tinha sido a Sociedade de Geografia de Lisboa encarregada pelo Governo de organizar estas comemorações mas agora competia a outra entidade esta responsabilidade.

Não podemos esquecer ou menosprezar este período da nossa história em que se verificam cinco factos essenciais a saber:

1488 Bartolomeu Dias: descoberta da passagem para o Índico
1488-1492 Bartolomeu Dias/Pacheco Pereira: descoberta dos ventos e das correntes do Atlântico sul e portanto do Brasil
1492 Colombo, e
1494 Tordesilhas, consumando-se a estratégia de D. João II de desviar os espanhóis para a América central, deixando livre o Oceano Atlântico sul para atingirmos a Índia, 
1497-1498 Vasco da Gama: primeira viagem à Índia, já com naus
1500 Pedro Álvares Cabral toma posse oficial do Brasil.

Parecia pois que dada a importância destes factos não só para Portugal, mas para todo o Mundo, a Expo 98 deveria dar ênfase máxima a estas comemorações, tirando partido delas, obviamente o maior partido quer para o turismo nacional quer para estimular actividades essenciais para a economia nacional.
Mas nada disto aconteceu assim.

Muitos portugueses em geral e com grandes responsabilidades nestas áreas em especial, parecem ter vergonha em se afirmar Portugal como grande iniciador da expansão europeia e assim ter sido líder em navegação, em construção naval, em cartografia, em poderio naval, em ousadia, e portanto em de facto ter aberto o Mar à Europa e ao Mundo.

A Espanha dos Reis Católicos dependia dos bascos e dos catalães do ponto de vista naval e Cristóvão Colombo como iniciador dos seus descobrimentos marítimos aprendeu com os portugueses e descobriu o que estes queriam que ele descobrisse de forma a permitir que fosse iniciado o caminho marítimo para a Índia.

Mas enquanto portugal se auto-excluiu de propagar convincentemente a sua posição de líder e de iniciador dos descobrimentos marítimos europeus, a Espanha fez uma campanha de informação à escala mundial com uma frota de Colombo e assim ficou a figurar como sendo ela a primeira e não nós.

Até o Relatório da CMOI de 1998 dirigida por Dr. Mário Soares e Dr. Mário Ruivo, mostrou Colombo como o principal navegador oceânico enquanto a Expo 98 esquecia a viagem de Vasco da Gama!

dado o desinteresse demonstrado pelos responsáveis políticos por realizações náuticas, isto é, que incluem navios, decidiu o então Presidente da Sociedade de Geografia, Almte  Sousa Leitão, e mais um grupo muito reduzido de colaboradores nos quais me orgulho de estar incluído, envidar esforços para conseguirmos ter uma nau já que jamais conseguiríamos fazer o que fez a Espanha que passeou por todo o Mundo a frota de Colombo para comemorar a sua viagem à América Central.

Tínhamos bem presente as dificuldades havidas para se construir a caravela "BARTOLOMEU DIAS" para comemorar a descoberta do do caminho para a Índia por Bartolomeu Dias que só se realizou porque houve uma ajuda da República da África do Sul, naturalmente implicando a caravela ficar lá num museu em Mossel Bay.

Dados os contactos culturais da Sociedade de Geografia com entidades goesas foi possível encontrar um empresário goês de hotelaria que estava interessado em fazer um contrato connosco de forma a ser construída em Portugal uma nau, que seria utilizada numa repetição da viagem de Vasco da Gama e que depois ficaria em Goa para realizar cruzeiros turísticos locais.

A Embaixada da Índia em Lisboa manifestou muito interesse mas o nosso governo desaconselhou o projecto e perdeu-se esta oportunidade de comemorar dignamente e com repercussão mundial este nosso feito.

Entretanto tinha-se constituído uma fundação, dita de Vasco da Gama, cujo objectivo era não só a comemoração da viagem mas estimular e perpetuar o interesse da população pelas nossas actividades marítimas, que se encontrava em enormes dificuldades financeiras porque não houve qualquer apoio mesmo de entidades que foram grandes entusiastas da sua criação.

Como algum tempo antes, i.e. cerca de 1993 eu tinha estudado a hipótese de se tentar construir no Porto uma torre para comemorar o nascimento do Infante D. Henrique o que me levou a aprofundar o projecto, incluindo conversas com o Arq. Souto de Moura, embora o desinteresse do Presidente da Câmara do Porto tenha abortado tal iniciativa, resolvemos aproveitar este balanço e tentar a oportunidade de Lisboa.

Com efeito entretanto nasceu a EXPO 98, e como só havia no projecto inicial a torre do TCC da refinaria, foi proposto à sua Administração um ante-projecto, com um estudo económico da sua viabilidade, que não só permitiria recuperar o investimento em pouco mais de dois anos, se fosse construída convenientemente, em tempo e lugar, e depois constituir uma fonte de receita para os projectos da Sociedade de Geografia, incluindo a desejada nau.

Isto de facto não aconteceu assim, a Fundação Vasco da Gama foi afastada pela EXPO 98 e acabou por se extinguir, o projecto foi alterado, perdeu rentabilidade e hoje está a ser transformado num hotel!!!


EXCERTO DE TEXTO 
Cortesia da:
 "REVISTA CARGO" (www.cargoedicoes.pt)