quinta-feira, 26 de abril de 2012


FRAGATA COMANDANTE JOÃO BELO -
INÍCIO
DAS SUAS MISSÕES - 1968
PRIMEIRA MISSÃO-(GUINÉ)



A NRP "COMANDANTE JOÃO BELO" EM VIAGEM DE INSTRUÇÃO DE CADETES




Ponte Cais em Bissau - GUINÉ
(Foto de Paulo Bastos)


Monumento a Diogo Cão e ao fundo a Ponte Cais de Bissau, onde esteve atracada, a Fragata
Comandante João Belo, em Janeiro de 1968.
(Imagem recolhida do site, Guerra na Guiné 63/74)


CTFR-FRABELO
A sua primeira missão de serviço, teve início em 05 de Janeiro de 1968, zarpando de Lisboa, rumo a Bissau (Guiné), transportando um contingente de Fuzileiros navais, onde ficou atracada durante quatro dias. Desde a sua saída de Lisboa, até 16 de Janeiro, permaneceu nas águas da Guiné, dando treino diverso à sua guarnição. Em 17 de Janeiro, saiu rumo a Lisboa onde permaneceu até Março. No mesmo mês, saiu da Base Naval de Lisboa, rumo a Toulon (França).

Entre 08 e 25 de Março, esteve ao largo de Toulon, em exercícios navais, com fragatas e submarino franceses. Após os exercícios terminarem, a Fragata Comandante João Belo, dirigiu-se para  Lisboa, onde permaneceu até fim de Março.


Porto militar de TOULON, Base Naval Francesa no Mediterrâneo
(Foto da WIKIPEDIA)
Em 01 de Maio, iniciou uma viagem de instrução de cadetes, largando de Lisboa com destino a S. Vicente (Cabo Verde). Depois rumou aos Açores ( Sta Cruz das Flores, Ponta Delgada e Horta),  permanecendo nestes portos por vários dias, seguindo depois para Lisboa onde deu entrada em 19 de Maio. Em Lisboa, ficou atracada na Base Naval, por cerca de um mês, para descanso da guarnição e abastecimentos.

Em 29 de Junho, seguiu para Nantes (França), onde permaneceu todo o mês de Julho, para verificações e ajustamentos técnicos, regressando de novo a Lisboa no final de Julho, onde chegou em 01 de Agosto, ficando fundeada no Tejo, no QNG. 

Os meses que se seguiram até Dezembro, foram passados em exercícios de artilharia e A/S, reabastecimentos no mar, incêndios e limitação e avarias.

António da Silva Martins, Mar. Rad, 1330/66



Ex-Fuzileiro Patrício Ribeiro, na Fragata Comandante João Belo, Bissau - Guiné 1968
(Foto recolhida do blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné)




EXCERTO DE UMA HISTÓRIA, PUBLICADA NESTE BLOGUE (O GORDO E ABRIL), CONTADA POR UM CAMARADA DA FRAGATA JOÃO BELO, AQUANDO DO TRANSPORTE DA COMPANHIA DE FUZILEIROS.


BOINA DE FUZILEIRO (fuzileirosparasempre.blogspot.com)




. Passado algum tempo, foi mesmo para Vale de Zebro onde concluiu com distinção o curso de fuzileiro especial, integrou uma companhia e partiu para a Guiné. E eu, para Lorient, França. Completar a guarnição da fragata “ Comandante João Belo” que ali perto, em Nantes, havia sido construída para a nossa Armada.
Tempos depois, a “João Belo” fez uma viagem à Guiné. À nossa chegada a Bissau, estava uma grande comitiva que vinha saber as últimas da Metrópole, dar-nos um abraço, conviver connosco. Eram camaradas nossos das guarnições do Comando Naval, dos Patrulhas, das Lanchas de Desembarque e das Companhias de fuzileiros ali estacionados em comissão de serviço. O Gordo não apareceu. Numa roda de amigos, perguntei porquê. Estaria de serviço? Estaria no mato? Ninguém respondeu e o semblante dos nossos amigos mudou radicalmente. Passados uns instantes, o Almeirim (um marinheiro fuzileiro telegrafista filho da minha escola) disse: ah vocês ainda não sabem?!... Fez menção de continuar, mas calou-se e foi sentar-se num cabeço de olhar perdido na imensidão do Atlântico.
Em contraste com o doce marulhar da leve ondulação beijando o costado da “João Belo”, longínquo, do negrume da mata e da bolanha, chegava-nos mortiço, o lúgubre crepitar da metralha.
Tenso, nervosíssimo, encharcado em suor, lentamente, o Almeirim levantou-se, aproximou-se do grupo e murmurou: numa emboscada… A voz embargou-se-lhe, as lágrimas que tentava reter, brotaram abundantes e explodiu num choro profundo. Convulsivo.
Amparámos o amigo, chorámos o outro e amaldiçoámos a guerra.

Francisco Ramalho, ex marinheiro CM, o “Farinha”
Corroios, Março de 2010