segunda-feira, 9 de janeiro de 2023


 Partida no João Belo

(reportagem de um jonalista do Jornal Expresso)

14 FEVEREIRO 2007 10:00


O taxista avança a medo pelos sinais de trânsito. Eles dizem "proibido a viaturas estranhas ao serviço", mas insisto para que siga em frente até ao cais principal. Que remédio: é obrigado a continuar, percorrendo o pontão do porto do Funchal. Não temos tempo de ir a pé.

A fragata João Belo está escondida por um enorme paquete inglês adormecido no pontão. Os motores da fragata estão a trabalhar há mais de duas horas (segundo mais tarde me disseram), largando uma nuvem branca de fumo. No cais, o comandante Félix Marques acena-nos com uma boa disposição surpreendente. Trocamos cumprimentos rápidos. Ele fica, nós vamos. "Boa viagem!" Somos os últimos a embarcar.

O dia começara com um contratempo muito chato. Na verdade, eu já perdera a esperança de viajar nesta altura do mês (estamos em Julho de 2006), mas tudo se precipitou e a pressa trouxe consequências imprevistas. Depois de alguns contactos cruzados com a marinha e com o Parque Natural da Madeira, que gere a reserva integral das Selvagens, só dois dias antes foi-nos garantido alojamento na ilha maior do pequeno arquipélago - a Selvagem Grande. Por isso as passagens de avião para o Funchal acabaram por ser adquiridas na Internet no sábado à noite e hoje de manhã, segunda-feira, uma surpresa desagradável estava à nossa espera no aeroporto de Lisboa: os bilhetes tinham sido comprados mas não chegaram a ser emitidos pela agência, o que nos fez perder o voo que nos punha no Funchal à hora de almoço, impedindo-nos de ir ao supermercado comprar os mantimentos para conseguirmos sobreviver durante a estadia com comida suficiente.

No fim, e depois de o voo onde seguimos ter tido um atraso de uma hora por causa de uma greve dos funcionários da limpeza do aeroporto da Portela, em Lisboa, a marinha resolveu dar-nos alguma tolerância, tendo em conta que a próxima partida seria apenas dentro de nove dias, fazendo os nossos planos iniciais caírem por terra. O problema dos mantimentos foi resolvido com pragmatismo militar: comprámos algumas caixas de comida ao próprio comando naval, que decidiu por conta própria o que nós deveríamos precisar e tratou de armazenar tudo a bordo, na arca frigorífica, sem que tivéssemos de pensar mais no assunto. O único senão: não vamos ter opção de escolha nas bolachas e nas batatas fritas. Nem no vinho. Estamos à mercê do bom gosto dos militares.

A fragata João Belo sai assim - por nossa inteira culpa - com mais de uma hora de atraso. É um navio de guerra velho e cansado. Deu nome à sua classe de fragatas por ter sido o primeiro de três a serem entregues à marinha portuguesa, em 1967, para ajudarem no esforço da guerra do Ultramar, na África portuguesa. Deverá também ser o último dos três a ser abatido. Por enquanto, vai dando para o serviço de patrulhamento da zona marítima portuguesa - o que já é bastante, tendo em conta os Açores e a Madeira, além da costa continental, que vai desde a Galiza até ao sul de Espanha.

Além dos mais de 170 tripulantes e da equipa do Expresso, seguem a bordo outras pessoas com destino às ilhas Selvagens: três faroleiros, o vice-presidente da Assembleia Regional da Madeira, Fernão Rebelo de Freitas, um médico inglês chamado Frank Zino mais a sua mulher Elisabeth, também inglesa, e dois pedreiros que vão com o casal. Todos eles vão lá ficar durante os próximos nove dias.

Preocupa-me sobretudo o ânimo de José Ventura, o fotógrafo, que soube que ia para as Selvagens na antevéspera, acabado de regressar de uma reportagem de quatro dias em Madrid. Vai ser um choque cultural - da capital espanhola para uma ilha praticamente deserta durante tantos dias. Mas a boa disposição das primeiras horas - e apesar dos contratempos - faz crer que tudo vai correr bem.

Espera-nos uma longa viagem. O navio parte às seis da tarde, ainda com o sol levantado sobre o horizonte, e só deverá chegar ao seu destino às oito horas da manhã do dia seguinte. Podia demorar menos tempo, mas seria contraproducente. "Não está a ver nós tentarmos um desembarque durante a noite, pois não?", diz um dos imediatos.

As Selvagens ficam a 162 milhas (mais de 250 quilómetros) da Madeira e são o ponto mais a sul do território português. E o mais isolado. A semana que se segue vai ser, de longe, a mais povoada do ano inteiro.

A vida a bordo parece pouco divertida, ainda que os marinheiros se esforcem em fazer do navio algo vagamente parecido com uma casa habitável. Nas áreas mais profundas, debaixo do nível do mar, onde o barulho é ensurdecedor, há cartazes de chimpanzés com alcunhas de marinheiros escritas a caneta de feltro. É uma paródia entre o pessoal. O sistema de ar condicionado não é de origem, mas é suficientemente obsoleto para ocupar muito espaço. Está instalado na mesma sala onde funcionam duas máquinas de transformação de água salgada em água doce. A água produzida nestes dessalanizadores serve para os banhos e para a cozinha, evitando o racionamento que existe noutros navios tão velhos como o João Belo mas mais pequenos.

Num canto mais escondido, os chimpanzés dos cartazes foram substituídos por modelos seminuas. A presença de mulheres militares a bordo limita a forma como os homens expressam as saudades de terra e obriga a que sejam muito criteriosos em escolher os locais para pendurar os calendários mais despudorados. Como elas não fazem parte da equipa do ar condicionado, o risco de darem de caras com o mostruário é insignificante.

Mas não se pense que as mulheres têm privilégios. Algumas trabalham em sítios ainda menos agradáveis. Duas ou três delas fazem turnos na sala das máquinas - as verdadeiras catacumbas. O cheiro a gasóleo é permanente e o barulho dos êmbolos não estimula grandes conversas. O único sítio suportável é uma pequena cabina de vidro imune ao cheiro, ao calor e ao barulho, onde os marinheiros montaram um pequeno sistema de colunas para ouvirem música durante os períodos mortos. É daqui que se controlam os cavalos do navio e a velocidade a que ele vai.

O navio é auto-suficiente e é capaz de passar muitos dias sem ter de reabastecer, se bem que o máximo que a velha classe João Belo faz é ir até ao Mar do Norte ou aventurar-se um pouco mais para baixo na costa africana, como aconteceu no final dos anos 90 quando foi dar assistência à Guiné-Bissau, depois de Assumane Mané e os seus homens se revoltarem contra o regime do presidente Nino Vieira.

Na câmara de oficiais, o jantar é organizado por turnos. Não há lugar para todos ao mesmo tempo. É a sala mais agradável a bordo. Tem um espaço com sofás e uma televisão capaz de apanhar, em alto mar, a TV Cabo por satélite. Uma porta dupla de madeira e vidro dá para uma pequena varanda a estibordo. Nas paredes, quadros a óleo retratam grandes veleiros, conferindo alguma nobreza às refeições.

"Temos a melhor escola de cozinha das forças armadas", diz um dos oficiais à mesa, enquanto somos servidos de almôndegas e puré de batata artisticamente arranjado sobre umas rodelas de laranja. É provável que tenha razão.

O serão é curto. Depois de estendermos as pernas na ponte de comando e observarmos as cartas electrónicas que mostram as Selvagens e a extensão da Zona Económica Exclusiva Portuguesa, recolhemo-nos aos aposentos. É provável que amanhã o dia comece muito cedo.

Dormimos numa camarata que tem a alcunha de Cova da Onça, mais à ré, debaixo do corredor principal da fragata. É um alojamento pouco promissor. Calhou-nos um boliche de três camas onde o maior cuidado, além de tentar dormir, deve ser com a cabeça. Uma tentativa mais brusca de levantar o corpo pode dar um galo simpático. Da forma como o mar está, vai ser um sono bem embalado.

Crédito:- Jornal Expresso

https://expresso.pt/dossies/dossiest_actualidade/dos_selvagens/partida-no-joao-belo=f95008#:~:text=Partida%20no%20Jo%C3%A3o,17%2C%20%C3%A0s%2018h




A Fragata João Belo, atracada no Porto de Leixões 

 Leia na Única, sábado dia 17 nas bancas, a reportagem "O senhor das Selvagens"

. Veja o documentário completo "Selvagens: A última fronteira" na SIC Notícias, dia 17, às 18h


terça-feira, 14 de junho de 2022

BLOGUE BARCO À VISTA: AS BERLIET-TRAMAGAL DOS FUZILEIROS




          Este artigo foi inicialmente redigido em 2017, poucos meses depois das Comemorações do "Dia da Marinha", a convite pelo então Director da Direcção de Transportes da Marinha, tendo sido publicado parcialmente (por limite de páginas e ilustrações) na Revista da Armada n.º 544 de Setembro de 2019.
         Posteriormente foi publicado na íntegra na Revista Desembarque n.º 35 de Março de 2020 da Associação da Fuzileiros.
        Optei por publicar também neste blogue o artigo (com algumas actualizações) por forma a ilustrar todas as fotos reunidas das viaturas em apreço, dado que várias não foram publicadas em ambas as revistas citadas devido ao limite de ilustrações. Outro motivo advém do facto de servir mais uma vez de agradecimento e reconhecimento pelo pronto contributo com fotos, dados e testemunhos de vários civis e militares.

 A Berliet-Tramagal foi montada entre 1964 e 1974 em Portugal sob licença pela fábrica MDF (Metalúrgica Duarte Ferreira, SARL) com instalações situadas no Tramagal. É uma viatura pesada baseada no modelo comercial francês de 1956 “Gazelle” da Berliet, tendo sido especificamente modificado e reforçado, originando os modelos da série “GBC KT” para utilização no conflito da Argélia pelo Exército francês. httlle_6_6.jpgps://4.bp.blogspot.com/-oud-GFDTB-c/XtvghinnwLKKCnDOzhygZ2iCPkgSZsACLcBGAsYHQ/s16
Berliet Gazelle (Foto da Internet)
            Na sua linha de montagem a MDF construiu ao todo 3.549 viaturas:
- 1.670 exemplares desde 1964 do modelo “GBC 8 KT 4x4”;













Berliet Gazelle (Foto da Internet)  sua linha de montagem a MDF construiu ao todo 3.549 viaturas: - 


1.670 exemplares desde 1964 do modelo “GBC 8 KT 4x4”; - 972 exemplares desde 1966 do modelo “GBC 8 KT 6x6”; - 907 exemplares desde 1968 do modelo “GBA MT 6x6”. Foi adoptada como viatura táctica de transporte de carga e pessoal na Guerra do Ultramar, atendendo às necessidades das FA’s (Forças Armadas) Portuguesas, nomeadamente do Exército Português e, por forma a substituir meios motorizados obsoletos nas Unidades em comissão de serviço, como por exemplo as viaturas pesadas Norte-americanas “GMC” da General Motor do período da 2.ª Guerra Mundial e, viaturas pesadas civis de mercadorias militarizadas com simples tracção traseira (Mercedes, Scania e Volvo). Tem como principais características: ser uma viatura simples e desprovida de comodidades; de baixo custo de produção e manutenção fácil de 1.º escalão; possui capacidade Todo-o-Terreno e tracção integral; dispõe de ângulos de ataque e saída muito elevados atendendo a sua dimensão. O modelo Berliet-Tramagal “GBC 8 KT” com tracção 4x4 pesava 5.980 kg e possuía capacidade para 4 toneladas de carga ou transportar 20 militares totalmente equipados (mais 01 condutor), dispõe de um motor Berliet M520 de 5 cilindros e 7.900 cc com 125 cv a 2.100 rpm, velocidade máxima de 82 km/h e autonomia máxima de 800 km.



 Berliet-Tramagal GBC 8 KT 4x4 (Foto da Internet) 


 Em 1966 a MDF apresentou às FA’s Armadas Portuguesas o modelo “GBC 8 KT” com tracção 6x6 de rodado simples, que já incorporava 50% de componentes de fabrico nacional, tendo sido bem aceite pelo Exército Português observando a mais-valia do desempenho Todo-o-Terreno em relação ao modelo anterior de tracção 4x4. Pesava 8.370 kg e possuía capacidade para 5 toneladas de carga ou transportar 20 militares totalmente equipados (mais 01 condutor), disponha de um motor Berliet M520 B de 5 cilindros e 7.900 cc com 125 cv a 2.100 rpm, velocidade máxima de 85 km/h e autonomia máxima de 800 km. 



Berliet-Tramagal GBC 8 KT 6x6 (Foto da Internet) 



 Os modelos da série “GBC KT” tinha a famosa particularidade do motor ser policarburante, isso é, mediante um manípulo selector de combustível, trabalhava com gasóleo, gasolina ou outros carburantes como: petróleo refinado, querosene, óleo de motor, água rás, álcool, óleo de fígado de bacalhau, diluente, brilhantina, parafina e óleos vegetais. Em 1968, com o intuito de simplificar, aumentar e baratear o processo de produção, o fabricante nacional concebeu o modelo “GBA MT” com tracção 6x6, com menos peso e dimensão e ligeiras diferenças exteriores em relação ao modelo “GBC”, fruto da experiência do comportamento da viatura nos TO’s (Teatro de Operações) africano. Pesava 7.150 kg, tinha capacidade para 4,5 toneladas de carga ou transportar 18 militares totalmente equipados (mais 01 condutor), dispõe de um motor Berliet M420/30XP a diesel de 4 cilindros com 135 cv a 2.600 rpm, velocidade máxima de 85 km/h e autonomia máxima de 800 km. 


Berliet-Tramagal GBA MT 6x6 dos Fuzileiros (Foto cedida pelo CCF) 


 As diferenças mais notórias são: tampa do motor (capó) mais curta e simplificada com ângulos mais direitos; reposição dos faróis dianteiros; introdução de pequenas modificações no depósito de combustível e instalação de aberturas laterais do compartimento do motor por forma a facilitar a ventilação e evitar o sobreaquecimento, atendendo ao clima dos TO’s africanos. Ambos os modelos “GBC” e “GBA” eram muito apreciados pelas tropas portuguesas nas antigas colónias em África pela sua robustez, força do motor, capacidade de passagem a vau de cursos de água até 1,2 m (GBC) / 1,5 m (GBA) de profundidade graças à estanquicidade do motor e depósito de combustível, o guincho mecânico que permitia ter saída para a frente e traseira da viatura, facilitando a resolução de problemas no terreno.

Berliet-Tramagal GBC em 1.º plano e GBA em 2.º plano (Foto de Pedro Monteiro)
  

 A robustez da carroçaria da viatura em aço oferecia uma certa resistência à deflagração de engenhos explosivos (minas Anti-Pessoal / Anti-Carro / fornilhos), que se reflectia na mais-valia de contribuir para a redução de baixas e respectiva confiança, força anímica e moral das Forças em campanha. Fruto de apresentar o eixo dianteiro adiantado em relação à posição do condutor, muitas Berliet-Tramagal foram empregues na função de “rebenta-minas”, seguindo à frente das colunas motorizadas, sendo apetrechadas com diversos sacos de areia de modo aumentar o peso da viatura e absorver o impacto da explosão, tendo por regra como único ocupante



Berliet-Tramagal "Rebenta-minas" (Foto da Internet)

 No início de 1974, após uma visita do então CEMGFA General Costa Gomes aos TO’s de Angola e Moçambique, foi convocada para 22 de Fevereiro de 1974 a Comissão Conjunta dos Chefes de Estados-Maiores para debater os planos de aquisição e orçamentos para 1974 e uma previsão para 1975. Dessa Comissão foi elaborado um Apontamento onde ficou previsto que a renovação das viaturas das Unidades de Fuzileiros deveria processar-se automaticamente e abranger anualmente ¼ da dotação total. Ficou ainda acordado nesse Apontamento a possibilidade de substituir as Mercedes por outra mais adequada para as missões, podendo a solução recair na Berliet-Tramagal, permitindo obter mais-valias no tocante a logística e manutenção ao se uniformizar com o Exército Português. A 16 de Maio de 1973 é efectuada uma proposta de aquisição da viatura táctica pesada “Berliet-Tramagal GBC 8 KT 6x6” à Marinha Portuguesa pelo seu fabricante nacional - a MDF. Este modelo de viaturas tácticas foram adquiridas a 13 de Julho de 1973 e entraram ao serviço da Marinha Portuguesa em pequeno número (presume-se terem sido somente 5 exemplares) em 28 de Agosto de 1973, não obstante é de realçar que do que foi possível aturar por recurso a testemunho de Fuzileiros Veteranos da Guerra do Ultramar, que foram enviadas para o Comando Naval de Angola e destacadas para Vila Nova da Armada 02 Berliet-Tramagal “GBC’s”, que findo o conflito regressaram a Portugal. 


 Berliet-Tramagal GBC 8 KT 6x6 dos Fuzileiros em Vila Nova da Armada - Angola (Foto cedida por SAJ FZE Valter Raposeiro) 



Uma dessas “GBC” manteve a função de transporte de pessoal e chegou a estar destacada na UAMA / UMD, o outro camião (AP-18-14) foi enviada para a própria fábrica MDF (tal como sucedeu a algumas viaturas do mesmo modelo do Exército Português) para ser modificada para a função de “Pronto-Socorro”, sendo dotada de grua mecânica "MDF" com capacidade para rebocar uma viatura sobre-elevada até o máximo de 3500kg e um pirilampo para sinalizar a marcha-lenta. É de referir, igualmente, que existiam alguns destes camiões no Comando Naval de Moçambique, cedidas a título de empréstimo pelo Exército Português (dispunha mais de 610 exemplares em África), mas que nunca receberam matrícula da Armada e eram utilizadas para missões logísticas e administrativas, por vezes apoiavam a movimentação de Unidades de Fuzileiros, tal ocorreu por exemplo com o DFE - Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 1 (1967 - 1969) em Cabo Delgado no Norte de Moçambique.

BerlietTramagal do Exército Português emprestadas aos Fuzileiros em Moçambique (Foto cedida por FZE António Manuel Carvalho)
No que concerne ao modelo “GBA”, segundo os registos da DT - Direcção de Transportes, a dotação da Marinha / Fuzileiros era de 12 exemplares e eram consideradas: «viaturas especiais» para efeitos de Cadastro de Viaturas e, designadas oficialmente em termos de tipo de material pelas Instruções Técnicas dos Fuzileiros por: «Viatura Táctica Pesada 6x6 Berliet GBA», entraram ao serviço da Marinha Portuguesa entre Novembro de 1974 e Junho de 1975, tendo sido adquiridas com verbas do OFNEU74 / OFNEU75 e destacadas à carga do Batalhão de Fuzileiros n.º 3 (Unidade de manobra), mais concretamente do «GTTT - Grupo de Transportes Tácticos Terrestres», configurando uma Unidade de Apoio de Combate. Viaturas do GTTT do BF n.º 3 





(Foto cedida por Cabo FZE Liberto Cartó) 




 De salientar que em 1975 estas viaturas tácticas pesadas ofereceram aos Fuzileiros flexibilidade e mobilidade operacional num momento em que transitavam por um processo de adaptação de guerra de guerrilha para conflitos de cariz mais convencional e, permitiram aumentar a capacidade de manobra táctica, permitindo o emprego desta força de elite em situações de maior exigência operacional num largo espectro de exercícios, operações e actividades militares. No passado recente da história portuguesa, no período político-militar denominado por "Verão Quente" de 1975 e anos que se seguiram, os Fuzileiros participam activamente com as suas 12 Berliet-Tramagal GBA em várias missões de Manutenção da Ordem Pública e, esporadicamente em Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA (Movimento das Forças Armadas) de apoio às populações. Coluna de Berliet-Tramagal dos Fuzileiros em 1975 (Foto cedida por Cabo-Mor FZ Jorge Almeida) Como viatura de transporte táctico, transportavam Unidades de Fuzileiros (uma viatura por Pelotão) que se encontravam em estado de prontidão imediata e atribuídas ao COPCON (Comando Operacional do Continente), desempenhando um papel determinante como demonstração de força, por vezes quando era necessário incrementar o grau de resposta, essas missões eram reforçadas pelas viaturas blindadas Chaimites dos Fuzileiros. Tais missões tinham por áreas de responsabilidade e intervenção o Distrito de Setúbal e Concelho de Almada, manter a Ordem Pública na zona de Almada (incluindo no Arsenal de Alfeite e na Lisnave) e Trafaria, assim como os designados "Pontos Sensíveis": instalações da NATO, abastecimento de água, postos de transformação da EDP, fábrica de munições, fábrica da pólvora, instalações de entidades públicas, etc. Berliet-Tramagal dos Fuzileiros em missões e exercícios em 1975 (Foto cedida por Cabo-Mor FZ Jorge Almeida) Neste período político-militar para além das próprias Berliet-Tramagal os Fuzileiros utilizaram este modelo de camiões cedidos pelo Exército Português, tal sucedeu a título de exemplo com a Companhia de Fuzileiros n.º 7, conhecida pela alcunha de "Ralis das Lezírias" destacada no G1EA - Grupo n.º 1 das Escolas da Armada em Vila Franca de Xira, quando prestou serviço sob Comando do COPCON, dispondo de duas Berliet GBC cedidas pelo Exército, assim como uma Unimog dotado de canhão sem recuo de 106mm entre os dias 24 e 26 de Novembro. Estas viaturas também eram presença assídua em desfiles militares, exercícios exclusivos dos Fuzileiros, sectoriais da Marinha (PHIBEX) e conjuntos ou combinados com os restantes Ramos das FA's Portuguesas ou estrangeiras (ALBATROZ / MARTE / GALERA). Berliet-Tramagal e exercícios de desembarque de LDG's Nos Fuzileiros durante grande parte do ano operacional as viaturas circulavam desprovidas do toldo de lona da cabine e da traseira, respectiva armação e laterais do compartimento de carga junto ao chassis, igualmente os estrados dos bancos eram colocados de forma as tropas transportadas permanecessem de costas contra costas, por forma a permitir rapidamente abandonar a viatura em caso de necessidade, configuração que já era empregue na Guerra do Ultramar para reacção a emboscadas. Exercício de reacção a emboscada (Foto cedida por FZ José Aleixo) Em 1977, quando as viaturas ainda se encontravam sob tutela do BF n.º 3, foram implementados projectos nas oficinas da SAO - Serviço de Assistência Oficinal da FFC - Força de Fuzileiros do Continente, por iniciativa do então Comandante do Batalhão - Cte. Alves da Rocha, que visavam utilizar o seu potencial de “massa”, “velocidade” e de “apoio de combate”, mediante a instalação de armas de apoio de fogos na sua estrutura, mais concretamente a montagem de um reparo na cabine para suportar metralhadoras-ligeiras HK MG-42 / MG-3, assim como um artefacto na traseira para acoplar os pratos-base de morteiros de 81 mm, transformando a viatura num “vector de multiplicação de forças”. Este mesmo Oficial foi encarregado anteriormente pela construção da pista de treino táctico de Fuzileiros condutores (FZV) de viaturas de tracção total existentes na FFC, treino que incluía a responsabilização de cuidar pelo grau operacional da viatura atribuída e respectiva manutenção de 1.º escalão, gerando o binómio condutor/viatura táctica. Esta pista situava-se no interior da FFC, no perímetro interior da Unidade, com início ao fundo da parada junto da Enfermaria, sendo constituída por vários obstáculos consecutivamente, colocando à prova a coragem, determinação e destreza dos FZV e testando os limites técnicos das viaturas. O treino táctico dos FZV também era realizado nas praias do litoral próximo, envolvendo estudos de percursos viável entre marés, nas praias da Costa da Caparia até ao Cabo Espichel. Berliet-Tramagal numa BTE em Olhão em 1977 (Foto cedida por SMOR FZE Miguel Aleluia) Em 1978, a Berliet-Tramagal AP-19-31 sofreu um aparatoso acidente no Portinho da Arrábida, tendo inclusivo rolado várias vezes, do qual resultou alguns feridos ligeiros entre Fuzileiros que transportava na traseira, tendo sido posteriormente recuperada e voltado ao serviço. Em Junho de 1979, dada a premência de obter uma melhor racionalização dos meios de apoio atribuídos às Unidades dos Fuzileiros, são edificados na dependência do CCF, diversas Unidades, entre elas a UATT - “Unidade de Apoio de Transportes Tácticos”, para onde, já em Junho de 1978, transitaram as Berliet-Tramagal e as restantes viaturas tácticas ligeiras e pesadas de todas as Unidades do Corpo de Fuzileiros, mantendo estas somente as viaturas ligeiras administrativas da sua dotação. Uma das Berliet-Tramagal dos Fuzileiros esteve destacada diversos anos na Escola de FZ’s para efeitos de instrução de condução (formação operacional), outra desempenhou a mesma função no G1EA - Grupo n.º 1 das Escolas da Armada em Vila Franca de Xira. Em 1994, a Berliet-Tramagal GBC AP-18-14 Pronto-Socorro com grua mecânica "MDF" procedeu ao reboque de 03 viaturas blindadas anfíbias Chaimite dos Fuzileiros até a Secção de Inúteis da Direcção de Abastecimento da Marinha. Berliet-Tramagal dos Fuzileiros em diversos desfiles motorizados Todas as viaturas em apreço (GBC e GBA) foram abatidas ao efectivo entre 1996 e 1999, demarcando-se com Honra na História dos Fuzileiros, durante pouco mais de duas décadas de serviço e, certamente na memória de várias gerações dos “Filhos da Escola”! Importa realçar que a MDF também montava a Berliet-Tramagal para forças militares na versão de camião-oficina e camião cisterna de 5.000 lt para hidrocarbonetos e, que os 03 ramos das FA’s Portuguesas as adaptaram para diversas funções, suportar certas cargas, sistemas de armas ou equipamento específico. Berliet-Tramagal GBC com sistema de armas anti-aérea quádruplo dotado de canhões Oerlikon de 20mm a desfilar em Luanda - Angola (Foto de Luís Ferreira) Várias GBC e GBA transitaram posteriormente das FA’s para diversas corporações de Bombeiros que as adaptaram ao combate a incêndios e, de empresas e particulares que as modificaram para as mais variadas utilidades, actualmente algumas encontram-se na posse de associações e coleccionadores de antigas viaturas militares, sendo que algumas são presença assídua em encontros e concentrações de viaturas militares clássicas. Berliet-Tramagal GBA de Bombeiros (Foto de Raul Nunes) O Exemplar GBA 6MT de matrícula “AP-19-32”, a penúltima do seu modelo a entrar ao serviço nos Fuzileiros a 18/06/1975 e abatida a 07/07/1999, começou a ser recuperada pela DT em 2014 da Secção de Inúteis da Direcção de Abastecimento da Marinha, para integrar o “Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha”, sendo de louvar esta iniciativa tendo em linha de conta que se trata de uma viatura emblemática das FA’s Portuguesas. De destacar que o Regimento de Manutenção (Entroncamento) do Exército Português colaborou cedendo algumas peças e o toldo de lona traseiro. Berliet-Tramagal GBA na Secção de Inúteis da Direcção de Abastecimento da Marinha Foi apresentada publicamente, pela primeira vez, nas comemorações do “Dia da Marinha de 2017” na Póvoa do Varzim / Vila do Conde, fazendo por certo recordar tempos passados de diversos cidadãos que cumpriram o SMO - Serviço Militar Obrigatório, as delícias dos entusiastas de viaturas militares clássicas e de modelistas. Berliet-Tramagal GBA em fase de recuperação Tendo sido convidado para estar presente na tribuna durante estas comemorações pelo então Almirante CEMA - Almirante António Silva Ribeiro, foi com grande surpresa que contemplei a presença desta viatura exposta, sendo que por obra do acaso o meu lugar na tribuna ombreava com o do então Director da Direcção de Transportes - CMG EMQ Carmo Limpinho que conheci durante o evento e em tom de conversa foi notório o orgulho pelo trabalho e façanhas realizado pelo seu pessoal na recuperação desta viatura e outras do “Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha”. Tomado pela curiosidade e em consequência da conversa supramencionada, já quando fui observar com mais detalhe a viatura em exposição estática, fiquei admirado com o estado geral impecável em que se encontra, acaso para se dizer “como novo”! fruto da sua recuperação. Berliet-Tramagal GBA em exposição no Dia da Marinha 2017 No entanto, mais interessante foi verificar a reacção perante a viatura de alguns cidadãos que pela sua conversa com familiares ou amigos apercebi-me tratarem-se de antigos combatentes da Guerra do Ultramar; em tom de confidência, posso afirmar que fiquei particularmente sensibilizado ao verificar a reacção emotiva de um desses cidadãos que finda a verbalização de uma história de uma ocorrência em Moçambique a familiares, lavado em lágrimas literalmente abraçou a frente da viatura por uns momentos, como se fosse um antigo camarada que não via a décadas e que segundo a história a quem deve a sua vida!... A DT futuramente pretende recuperar o camião-cisterna de Limitações de Avarias da Marinha de matrícula “AP-26-25” Tramagal TT13/160 6x6 Turbo de 13 toneladas, também fabricado pela MDF e que esteve destacada na Escola de Fuzileiros (possuía a matrícula DT-20). Camião-cisterna de Limitações de Avarias da Marinha Tramagal TT13/160 6x6 Turbo No que concerne ao modelismo, existe um kit de fabrico nacional e edição particular da autoria do Major Nogueira Pinto, modelista e Oficial na situação de Reforma do Serviço de Material do Exército Português, que permite montar na escala 1/35 a Berliet-Tramagal GBC 8 KT 6x6. Kit de modelismo 1/35 de uma Berliet-Tramagal GBC 8 KT 6x6 “Pronto-Socorro”com grua mecânica "MDF" Em Abril de 2018 foi lançado em Lisboa e no Porto o livro "Berliet, Chaimite e UMM: Os Grandes Veículos Militares Nacionais" do meu amigo Pedro Monteiro, que me concedeu a honra de fazer a apresentação do livro e autor na Livraria "Ascari" - Porto. Capa do livro "Berliet, Chaimite e UMM: Os Grandes Veículos Militares Nacionais" de Pedro Monteiro Cumpre-me agradecer a pronta ajuda de vários civis e militares na compilação de dados, documentos, fotos e testemunhos sobre as Berliet-Tramagal e o seu uso na Briosa pelos seus Fuzileiros. A todos Bem Hajam!





sexta-feira, 30 de julho de 2021

Cerimónia de transferência das fragatas "João Belo" e Sacadura Cabral para a Armada do Uruguay

 

há 13 anos- Este vídeo pertence à Marinha de Guerra Portuguesa  https://www.youtube.com/watch?v=6UKksfDNrZc

Cerimónia de transferência das fragatas "João Belo"

Realizou-se na Base Naval de Lisboa, no dia 8 de Abril de 2008, a cerimónia de entrega das fragatas Ex-NRP "Comandante João Belo" e Ex-NRP "Comandante Sacadura Cabral" à Armada da República Oriental do Uruguai

domingo, 27 de outubro de 2019

A NOSSA ZONA ECONÓMICA EXCLUSIVA (ZEE)


A NOSSA ZONA ECONÓMICA EXCLUSIVA
(ZEE)



ShinMaywa US-2 da Aviação Naval da Marinha Portuguesa (ficionado). Aeronave anfíbia de busca e salvamento (SAR) com eventual possibilidade de combate a incêndios com 15 000 litros!
100 anos de Aviação Naval! 1917-2017!

A Marinha Indiana encomendou 12 unidades...
Foto de Jorge Pereira



Foto de António da Silva Martins


  • O NOSSO TERRITÓRIO NACIONAL
Com a Maior Zona Económica Exclusiva marítima da Europa, Portugal Luta agora pelo alargamento da plataforma continental SUA. A Proposta apresentada foi na semana Passada e, se aprovada para, o País Ficara com uma jurisdição de Uma área com fortes indícios da existência de petróleo e de gás natural, e Onde se escondem metais preciosos e microorganismos utilizados na Produção de cosméticos e de fármacos para o tratamento do cancro OU PARA o combate ao VIH.

 A náutica e o turismo de recreio, a Construção e Reparação naval, um Energia, a agricultura biotecnologia São Outras das áreas consideradas Estratégicas PARA O hipercluster do Mar não Estudo Feito Pela Equipa de Hernâni Lopes. Dai a importância da aprovação da Proposta que Portugal apresentou, na semana Passada Abril 2015, na sede da ONU Pará uma Extensão da plataforma continental.

 Dai a importância da aprovação da Proposta que Portugal apresentou, na semana Passada, na sede da ONU para uma Extensão da plataforma continental. A proposta só terá resposta daqui a 5 ou 8 anos, quando a ONU der luz verde a esta pretensão do estado Português, já antiga que remonta a executivo de 2006.
 A ser deferida a proposta a ZEE portuguesa passará de 200 para 350 milhas. "Portugal ficaria com Direito exclusivo de Recursos Naturais Explorar OS vivos e NAO vivos existentes Território Nesse", Explica o Líder da EMEPC. Ainda não existem as suficientes provas, mas as futuras permitirão identificar se existem (no subsolo do Atlântico que Portugal quer acrescentar à sua jurisdição), Depósitos passíveis de Hidrocarbonetos que contenham, Petróleo e Gás natural, Revela Manuel Pinto de Abreu.

 O petróleo Será certamente o PRODUTO Mais apetecível, mas o oceanógrafo Destaca a importância dos Recursos Ligados As Fontes hidrotermais, Onde se inserem microorganismos que podem Ser Usados nas Indústrias de Produtos Alimentares, cosmética e Farmacêutica. Manuel Pinto de Abreu dá como exemplo a produção do Zovirax, Um produto usado nos tratamentos de combate ao herpes labial, Feito A Partir de Uma substancia Retirada de Uma esponja marinha, que rende anualmente "MUITAS dezenas de Milhões de euros". O Especialista sublinha ainda que alguns medicamentos Usados no Combate ao HIV UO anti-cancerígenos tem Origem marinha. "A biotecnologia marinha TEM UM Impacto Social Tão grande Como o petróleo, mas Acredito Que o Seu Valor Económico Será superior", Afirma. Embora não Haja respostas para como Dúvidas relativas À eventual existência de petróleo no mar português, Os Cientistas tem apontado para Perspectivas Bastante promissoras em algumas Bacias Oceânicas da Nossa plataforma continental alargada. https://www.facebook.com/TugasnaEspanha/videos/1668718883343257/ https://www.facebook.com/Geografismos/videos/731636056949877/ http://www.vortexmag.net/petroleo-ouro-prata-as-riquezas-incalculaveis-do-mar-portugues/ http://youtu.be/LEFTWFSTnx0 https://www.youtube.com/watch?v=Q9C0VabifwY






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Sabe onde fica o Centro de Portugal?
O centro geodésico de Portugal Continental fica bem perto de Vila de Rei e desde o seu miradouro é possível contemplar várias maravilhas da região.
Sabe onde fica o centro de Portugal Continental, ou seja, o centro geodésico de Portugal? Saindo de Vila de Rei em direcção à Sertã, 1.8 km depois, encontrará devidamente assinalado o desvio para o Picoto da Melriça – Centro Geodésico de Portugal, 900m depois e encontrar-se-á no Centro Geodésico de Portugal o que significa estar no centro do país. Com uma altitude de 600 m, este local permite ao seu visitante uma visão de 360º sobre um horizonte vastíssimo, em que se destaca a Serra da Lousã e, com tempo limpo, a Serra da Estrela, esta quase a 100 km de distância.
centro geodésico de Portugal
centro geodésico de Portugal
Neste local existe o Museu da Geodésia. Sala de exposição temática, pequeno auditório, loja de recordações e bar, enriquecem este espaço num local que é uma das referências do concelho. Aqui situa-se o vértice geodésico de primeira ordem, conhecido por Picoto da Melriça. Contudo, o ponto central da projecção utilizada na cartografia portuguesa fica perto deste local: a cerca de 200 metros para oeste e 2900 metros para sul.
centro geodésico de Portugal
centro geodésico de Portugal
O marco geodésico é uma pirâmide de alvenaria com nove metros de altura, começada a construir em 1802 e situada a uma altitude de 587 metros. Lá do alto obtém-se excelente vista de 360º sobre toda a região e é possível distinguir as terras da região envolvente. A Serra da Melriça, conhecida localmente como “Picoto da Melriça”, é uma serra portuguesa situada a cerca de dois quilómetros a nordeste da povoação de Vila de Rei, sede do concelho com o mesmo nome, do Distrito de Castelo Branco. Com uma área pequena de ocupação, tem a altura máxima de 592 metros.
A importância desta serra resulta do facto de nela estar localizado o Centro Geodésico de Portugal Continental. Nela encontra-se o marco geodésico padrão “TF4” a partir do qual se deu início às observações angulares dos restantes vértices geodésicos de todo o Portugal Continental. As coordenadas do marco geodésico são: latitude: 39º 41′ 40,20619 N ; longitude: 8º 07′ 50,06228 W. Existe também uma Pirámide de 1ª Ordem que “simboliza” o centro geodésico com as coordenadas: 39º 41′ 40.20619 N ; 8º 7′ 50.06228 W. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe nenhum marco geodésico com coordenadas rectangulares (0,0).
O Picoto da Melriça é um local de paragem obrigatória. Os viajantes não abdicam da sua saga mesmo quando as horas apertam por razões familiares e quase sempre conseguem fazer um desvio e inspeccionar um local notável de Portugal. O Picoto da Melriça situado a 592 metros de altura está ligado à história da cartografia moderna em Portugal. Esta começou em 1790, no reinado de D. Maria I, quando a monarca solicitou D. Francisco Ciera, lente da Academia Real da Marinha, a encetar os trabalhos de triangulação geral do território, para a elaboração da Carta Geográfica do Reino.
centro geodésico de Portugal
centro geodésico de Portugal
Os trabalhos arrancaram em 1790, mas foram suspendidos treze anos depois devido às invasões francesas. Logo em 1802, foi erigido o vértice geodésico da Milriça que pertenceu ao grupo dos primeiros 32 vértices nacionais. Este famoso “Picoto” é uma pirâmide de alvenaria com 3 metros de base e 9 metros de atura, quase com dois séculos de idade. Os trabalhos da triangulação foram, porém, interrompidos em 1803, por força da situação política da época e mais tarde concluído após 1834. Hoje existem espalhados pelo país cerca de 8 000 vértices geodésicos, muitos dos quais construídos em locais quase inacessíveis
centro geodésico de Portugal
Foi, graças à abnegação dos geógrafos e cartógrafos do século passado que foi criada a Rede Geodésica Nacional que constitui uma das bases para o conhecimento geográfico do território. Ao lado do Picoto da Melriça, no Centro Geodésico de Portugal, encontra-se o Museu da Geodesia, único no país. O museu, inaugurado em 2002 oferece aos visitantes um certificado de presença, infelizmente não nos foi possível visita-lo dado o tardio da hora.
A paisagem do Picoto da Melriça é bela e a 360º de vista e faz jus à categoria de centro de Portugal, em dias de boa visibilidade, mas apesar disso os grandes maciços poderosos da Cordilheira Central (Gardunha, Estrela, Lousã, Aire e Montejunto), encontram-se em distâncias suficientemente longínquas para repararmos nos seus detalhes, mas mesmo assim conseguimos ver os seus contornos gerais e as suas texturas litológicas. Ao longe ainda as suaves planícies alentejanas e a a fina fímbria dourada do mar para SW. centro geodésico de Portugal
Mais próximo de Vila de Rei, os monótonos pinhais, muitos deles queimados e pomo-nos a pensar que os fogos florestais são o maior flagelo que assola este lugar de deserção de onde partem mulheres e crianças na procura de outros lugares para habitar. Quase todos os anos, no estio a passagem do fogo enche cinzas e madeiros carbonizados um solo que já era pobre e que assim mais erode nas primeiras chuvas de outono.








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Sabe onde fica o Centro de Portugal?
O centro geodésico de Portugal Continental fica bem perto de Vila de Rei e desde o seu miradouro é possível contemplar várias maravilhas da região.

Sabe onde fica o centro de Portugal Continental, ou seja, o centro geodésico de Portugal? Saindo de Vila de Rei em direcção à Sertã, 1.8 km depois, encontrará devidamente assinalado o desvio para o Picoto da Melriça – Centro Geodésico de Portugal, 900m depois e encontrar-se-á no Centro Geodésico de Portugal o que significa estar no centro do país. Com uma altitude de 600 m, este local permite ao seu visitante uma visão de 360º sobre um horizonte vastíssimo, em que se destaca a Serra da Lousã e, com tempo limpo, a Serra da Estrela, esta quase a 100 km de distância.


centro geodésico de Portugal
Neste local existe o Museu da Geodesia. Sala de exposição temática, pequeno auditório, loja de recordações e bar, enriquecem este espaço num local que é uma das referências do concelho. Aqui situa-se o vértice geodésico de primeira ordem, conhecido por Picoto da Melriça. Contudo, o ponto central da projecção utilizada na cartografia portuguesa fica perto deste local: a cerca de 200 metros para oeste e 2900 metros para sul.

centro geodésico de Portugal
O marco geodésico é uma pirâmide de alvenaria com nove metros de altura, começada a construir em 1802 e situada a uma altitude de 587 metros. Lá do alto obtém-se excelente vista de 360º sobre toda a região e é possível distinguir as terras da região envolvente. A Serra da Melriça, conhecida localmente como “Picoto da Melriça”, é uma serra portuguesa situada a cerca de dois quilómetros a nordeste da povoação de Vila de Rei, sede do concelho com o mesmo nome, do Distrito de Castelo Branco. Com uma área pequena de ocupação, tem a altura máxima de 592 metros.

A importância desta serra resulta do facto de nela estar localizado o Centro Geodésico de Portugal Continental. Nela encontra-se o marco geodésico padrão “TF4” a partir do qual se deu início às observações angulares dos restantes vértices geodésicos de todo o Portugal Continental. As coordenadas do marco geodésico são: latitude: 39º 41′ 40,20619 N ; longitude: 8º 07′ 50,06228 W. Existe também uma Pirámide de 1ª Ordem que “simboliza” o centro geodésico com as coordenadas: 39º 41′ 40.20619 N ; 8º 7′ 50.06228 W. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe nenhum marco geodésico com coordenadas rectangulares (0,0).

O Picoto da Melriça é um local de paragem obrigatória. Os viajantes não abdicam da sua saga mesmo quando as horas apertam por razões familiares e quase sempre conseguem fazer um desvio e inspeccionar um local notável de Portugal. O Picoto da Melriça situado a 592 metros de altura está ligado à história da cartografia moderna em Portugal. Esta começou em 1790, no reinado de D. Maria I, quando a monarca solicitou D. Francisco Ciera, lente da Academia Real da Marinha, a encetar os trabalhos de triangulação geral do território, para a elaboração da Carta Geográfica do Reino.


centro geodésico de Portugal
Os trabalhos arrancaram em 1790, mas foram suspendidos treze anos depois devido às invasões francesas. Logo em 1802, foi erigido o vértice geodésico da Milriça que pertenceu ao grupo dos primeiros 32 vértices nacionais. Este famoso “Picoto” é uma pirâmide de alvenaria com 3 metros de base e 9 metros de atura, quase com dois séculos de idade. Os trabalhos da triangulação foram, porém, interrompidos em 1803, por força da situação política da época e mais tarde concluído após 1834. Hoje existem espalhados pelo país cerca de 8 000 vértices geodésicos, muitos dos quais construídos em locais quase inacessíveis
centro geodésico de Portugal


Foi, graças à abnegação dos geógrafos e cartógrafos do século passado que foi criada a Rede Geodésica Nacional que constitui uma das bases para o conhecimento geográfico do território. Ao lado do Picoto da Melriça, no Centro Geodésico de Portugal, encontra-se o Museu da Geodesia, único no país. O museu, inaugurado em 2002 oferece aos visitantes um certificado de presença, infelizmente não nos foi possível visita-lo dado o tardio da hora.

A paisagem do Picoto da Melriça é bela e a 360º de vista e faz jus à categoria de centro de Portugal, em dias de boa visibilidade, mas apesar disso os grandes maciços poderosos da Cordilheira Central (Gardunha, Estrela, Lousã, Aire e Montejunto), encontram-se em distâncias suficientemente longínquas para repararmos nos seus detalhes, mas mesmo assim conseguimos ver os seus contornos gerais e as suas texturas litológicas. Ao longe ainda as suaves planícies alentejanas e a a fina fimbria dourada do mar para SW. centro geodésico de Portugal
Mais próximo de Vila de Rei, os monótonos pinhais, muitos deles queimados e pomo-nos a pensar que os fogos florestais são o maior flagelo que assola este lugar de deserção de onde partem mulheres e crianças na procura de outros lugares para habitar. Quase todos os anos, no estio a passagem do fogo enche cinzas e madeiros carbonizados um solo que já era pobre e que assim mais erode nas primeiras chuvas de outono.




-3  Sabe onde fica o Centro de Portugal?
O centro geodésico de Portugal Continental fica bem perto de Vila de Rei e desde o seu miradouro é possível contemplar várias maravilhas da região.

Sabe onde fica o centro de Portugal Continental, ou seja, o centro geodésico de Portugal? Saindo de Vila de Rei em direcção à Sertã, 1.8 km depois, encontrará devidamente assinalado o desvio para o Picoto da Melriça – Centro Geodésico de Portugal, 900m depois e encontrar-se-á no Centro Geodésico de Portugal o que significa estar no centro do país. Com uma altitude de 600 m, este local permite ao seu visitante uma visão de 360º sobre um horizonte vastíssimo, em que se destaca a Serra da Lousã e, com tempo limpo, a Serra da Estrela, esta quase a 100 km de distância.

Centro geodésico de Portugal
Neste local existe o Museu da Geodésica. Sala de exposição temática, pequeno auditório, loja de recordações e bar, enriquecem este espaço num local que é uma das referências do concelho. Aqui situa-se o vértice geodésico de primeira ordem, conhecido por Picoto da Melriça. Contudo, o ponto central da projecção utilizada na cartografia portuguesa fica perto deste local: a cerca de 200 metros para oeste e 2900 metros para sul.


Centro geodésico de Portugal
O marco geodésico é uma pirâmide de alvenaria com nove metros de altura, começada a construir em 1802 e situada a uma altitude de 587 metros. Lá do alto obtém-se excelente vista de 360º sobre toda a região e é possível distinguir as terras da região envolvente. A Serra da Melriça, conhecida localmente como “Picoto da Melriça”, é uma serra portuguesa situada a cerca de dois quilómetros a nordeste da povoação de Vila de Rei, sede do concelho com o mesmo nome, do Distrito de Castelo Branco. Com uma área pequena de ocupação, tem a altura máxima de 592 metros.

A importância desta serra resulta do facto de nela estar localizado o Centro Geodésico de Portugal Continental. Nela encontra-se o marco geodésico padrão “TF4” a partir do qual se deu início às observações angulares dos restantes vértices geodésicos de todo o Portugal Continental. As coordenadas do marco geodésico são: latitude: 39º 41′ 40,20619 N ; longitude: 8º 07′ 50,06228 W. Existe também uma Pirámide de 1ª Ordem que “simboliza” o centro geodésico com as coordenadas: 39º 41′ 40.20619 N ; 8º 7′ 50.06228 W. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe nenhum marco geodésico com coordenadas rectangulares (0,0).

O Picoto da Melriça é um local de paragem obrigatória. Os viajantes não abdicam da sua saga mesmo quando as horas apertam por razões familiares e quase sempre conseguem fazer um desvio e inspeccionar um local notável de Portugal. O Picoto da Melriça situado a 592 metros de altura está ligado à história da cartografia moderna em Portugal. Esta começou em 1790, no reinado de D. Maria I, quando a monarca solicitou D. Francisco Ciera, lente da Academia Real da Marinha, a encetar os trabalhos de triangulação geral do território, para a elaboração da Carta Geográfica do Reino.

Centro geodésico de Portugal
Os trabalhos arrancaram em 1790, mas foram suspendidos treze anos depois devido às invasões francesas. Logo em 1802, foi erigido o vértice geodésico da Milriça que pertenceu ao grupo dos primeiros 32 vértices nacionais. Este famoso “Picoto” é uma pirâmide de alvenaria com 3 metros de base e 9 metros de atura, quase com dois séculos de idade. Os trabalhos da triangulação foram, porém, interrompidos em 1803, por força da situação política da época e mais tarde concluído após 1834. Hoje existem espalhados pelo país cerca de 8 000 vértices geodésicos, muitos dos quais construídos em locais quase inacessíveis.


Centro geodésico de Portugal
Foi, graças à abnegação dos geógrafos e cartógrafos do século passado que foi criada a Rede Geodésica Nacional que constitui uma das bases para o conhecimento geográfico do território. Ao lado do Picoto da Melriça, no Centro Geodésico de Portugal, encontra-se o Museu da Geodesia, único no país. O museu, inaugurado em 2002 oferece aos visitantes um certificado de presença, infelizmente não nos foi possível visita-lo dado o tardio da hora.

A paisagem do Picoto da Melriça é bela e a 360º de vista e faz jus à categoria de centro de Portugal, em dias de boa visibilidade, mas apesar disso os grandes maciços poderosos da Cordilheira Central (Gardunha, Estrela, Lousã, Aire e Montejunto), encontram-se em distâncias suficientemente longínquas para repararmos nos seus detalhes, mas mesmo assim conseguimos ver os seus contornos gerais e as suas texturas litológicas. Ao longe ainda as suaves planícies alentejanas e a a fina fimbria dourada do mar para SW. centro geodésico de Portugal
Mais próximo de Vila de Rei, os monótonos pinhais, muitos deles queimados e pomo-nos a pensar que os fogos florestais são o maior flagelo que assola este lugar de deserção de onde partem mulheres e crianças na procura de outros lugares para habitar. Quase todos os anos, no estio a passagem do fogo enche cinzas e madeiros carbonizados um solo que já era pobre e que assim piorava nas primeiras chuvas de outono.


Fonte:-CITAN





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Sabe onde fica o centro de Portugal? - Serra-Melrica

MIRADOURO DO PICOTO DA MELRIÇA - CENTRO DE PORTUGAL 

Marco geodésico que assinala o centro do país.

Saindo de Vila de Rei em direcção à Sertã, 1.8 km depois, encontrará devidamente assinalado o desvio para o Picoto da Melriça – Centro Geodésico de Portugal, 900m depois e encontrar-se-á no Centro Geodésico de Portugal o que significa estar no centro do país.

Com uma altitude de 600 m, este local permite ao seu visitante uma visão de 360º sobre um horizonte vastíssimo, em que se destaca a Serra da Lousã e, com tempo limpo, a Serra da Estrela, esta quase a 100 km de distância.

Neste local existe o Museu da Geodesia. Sala de exposição temática, pequeno auditório, loja de recordações e bar, enriquecem este espaço num local que é uma das referências do concelho.

Aqui situa-se o vértice geodésico de primeira ordem, conhecido por Picoto da Melriça. Contudo, o ponto central da projecção utilizada na cartografia portuguesa fica perto deste local: a cerca de 200 metros para oeste e 2900 metros para sul.

O marco geodésico é uma pirâmide de alvenaria com nove metros de altura, começada a construir em 1802 e situada a uma altitude de 587 metros. Lá do alto obtém-se excelente vista de 360º sobre toda a região e é possível distinguir as terras da região envolvente.
Neste local situa-se também o Museu da Geodesia, inaugurado em 2002, que apresenta uma sala de exposições, um pequeno auditório e uma loja de recordações.

A Serra da Melriça, conhecida localmente como "Picoto da Melriça", é uma serra portuguesa situada a cerca de dois quilómetros a nordeste da povoação de Vila de Rei, sede do concelho com o mesmo nome, do Distrito de Castelo Branco.

Com uma área pequena de ocupação, tem a altura máxima de 592 metros.

A importância desta serra resulta do facto de nela estar localizado o Centro Geodésico de Portugal Continental. Nela encontra-se o marco geodésico padrão "TF4" a partir do qual se deu início às observações angulares dos restantes vértices geodésicos de todo o Portugal Continental. As coordenadas do marco geodésico são: latitude: 39º 41' 40,20619 N ; longitude: 8º 07' 50,06228 W. Existe também uma Pirâmide de 1ª Ordem que "simboliza" o centro geodésico com as coordenadas: 39º 41' 40.20619 N ; 8º 7' 50.06228 W. Ao contrário do que muita gente pensa, não existe nenhum marco geodésico com coordenadas rectangulares (0,0).