quarta-feira, 6 de abril de 2011

João Belo (1876-1928) | Instituto Hidrográfico

COMANDANTE JOÃO BELO - PARTE DA SUA VIDA COMO MILITAR E POLÍTICO



Foi a este grande “Marinheiro”, que a Marinha  de Guerra  Portuguesa, quis Homenagear, ao atribuir o seu nome à 1ª Fragata (da classe Cte Rivière),


Foram encomendadas 4 Fragatas do mesmo tipo.

- NRP "Comandante João Belo - F480 (CTFR - FRABELO)

-NRP "Hermenegildo  Capelo" -  F481 (CTFS - FRACAPELO)

-NRP " Roberto Ivens" - F482 - (CTFT - FRAIVENS)

-NRP"Sacadura Cabral" - F483 - (CTFU - FRADURA)         




COMANDANTE JOÃO BELO
Fonte:- Revista da Armada
(Trabalho elaborado por Francisco Santos)



Acedam ao Link abaixo indicado:

João Belo (1876-1928) | Instituto Hidrográfico


                               






JOÃO BELO - Portugal de outrora e de hoje
( Pintura em prato cerâmico)



CORTESIA  ( RODA VIVA  jornal) AROUCA. -   UM DESPACHO, DOIS EXEMPLOS -

OPINIÃO:- Se todos os ministros procedessem com o mesmo zelo e respeito pelos dinheiros do Estado, o País nunca teria chegado à situação
desesperada em que se encontra.


JOÃO BELO, Oficial da  Marinha, natural de Leiria, nascido a 27 de Setembro de 1876, embarcou para Moçambique em 1895 como Guarda-Marinha e por lá andou durante 29 anos, ao longo dos quais desempenhou as mais diversas funções.
Companheiro de Mouzinho de Albuquerque, colaborou activamente com Brito Camacho, que em fins de 1921 foi nomeado Alto Comissário para a República naquela antiga colónia portuguesa, tendo conquistado grande prestígio entre as populações de quem era conhecido como Régulo de Gaza.
Chamado a exercer as funções de Ministro das Colónias, faleceu em 2 de Janeiro de 1928, em  pleno exercício da sua actividade e após uma carreira toda dedicada ao serviço da  Pátria, que lhe atribuiu diversas condecorações, de entre as quais a Torre e Espada.
Algum tempo após a sua morte, o filho, Dr. António Belo, ofereceu ao Arquivo Histórico de Moçambique um conjunto de documentos, de entre os quais a cópia autografada de um despacho, em papel timbrado do Ministério das Colónias - Gabinete do Ministro - que reza assim: " Reconsidero o meu despacho de 14 de Julho findo pelo qual mandei adquirir 5000 (cinco mil) exemplares do livro " Uma Viagem Através das Colónias Portugueseas", anulando-o; mas "Como produziu todos os seus efeitos e está portanto liquidada a importância de 31.250$00 (trinta e um mil duzentos e cinquenta escudos), determino que nos vencimentos do actual  Ministro JOÃO BELO, seja descontada mensalmente a importância de 500$00 (quinhentos escudos) e quando deixar esse cargo passe ao máximo de desconto até completo pagamento da  importância autorizada e que dei causa por um despacho irrefletido que sou o primeiro a considerar ilegítimo". "Cumpra-se 31-8-1926." "ass, João Belo.
O livro escrito por Augusto Gonçalves de Morais de Castro e António Ferreira Cardoso, foi prefaciado pelo Almirante Ernesto Vasconcelos, mas nem isso impediu que o Ministro e Comandante de Fragata João Belo, lavrasse este despacho exemplar, que devia estar emoldurado em cima  da secretária de trabalho de todos os ministros e decisores políticos deste país para memória e exemplo de responsabildade e ética democrática.
Se assim fosse e todos os ministros procedessem com o mesmo zelo e respeito pelos dinheiros do Estado, e tivessem tido a coragem e a dignidade de reconhecer os seus erros, respondendo por eles, o País nunca teria chegado à situação desesperada em que se encontra.
Infelizmente não foi assim, mas não deixa de ser consolador reconhecer e recordar a estatura de um ministro e de um Homem que foi um cidadão exemplar.
E já que de exemplos e de Carácter se falou, neste tempo difícil que Portugal atravessa e um novo Governo promete resgatar do atoleiro em que mais uma vez mergulhou, é bom recordar mais um exemplo, de entre os muitos que uma longa História de séculos nos dá.
Henrique Paiva Couceiro, que também pelas antigas colónias se cobriu de glória e o Comissário Régio António Enes, considerava "o seu Roldão" (aludindo a um dos Doze Pares de Carlos Magno), também ele nos deixou, em fim de uma carreira de glória, um desabafo que encerra toda uma lição de vida e de Carácter:- " Se soubessem o trabalho que eu tive toda a vida para ficar pobre!" Quando agora tantos ficam ricos sem  trabalho nenhum  e a justiça que temos não consegue descobrir de onde lhes veio a riqueza, isentando-os de suspeitas ou remetendo-os à  cadeia, é bom recordar estes exemplos para que os sacrificios que nos são pedidos não sejam de todos  em vão.
O Governo agora empossado  e que nos promete combater a corrupção, o clientelismo e o despredício, como todos os outros antes dele já fizeram sem resultados apreciáveis, tem à sua frente uma tarefa gigantesca. Não apenas para resgatar o prestígio do país no concerto das nações mas, acima de tudo, para o tornar mais limpo e recomdável.

Por:- Elísio Azevedo.